segunda-feira, 26 de maio de 2014

Minha torcida




Eu sempre gostei de acompanhar as Olimpíadas pela televisão. Mesmo em esportes que nunca me interessaram, se tiver um brasileiro participando eu torço por ele. É muito natural pra mim... Torcer por um brasileiro é como torcer pela minha família, é torcer “pros meus”, “pros de casa”. 

Se inventassem uma competição com representantes de várias famílias, com certeza eu torceria pra equipe dos “Nunes”. Mesmo que não conhecesse nenhum participante eu sei que automaticamente  simpatizaria com pessoas que têm o meu sobrenome.

Em qualquer tipo de competição entre cidades brasileiras, certamente eu torceria por Porto Alegre; entre estados do Brasil, sem sombra de dúvida eu ia querer a vitória do Rio Grande do Sul. Torcer contra a minha terra? Nem pensar! Seria como torcer contra mim mesma!

Fico surpresa e até um pouco triste quando alguém me diz que vai torcer contra o Brasil na Copa do Mundo deste ano. Como é possível? 

Se não gosta de futebol, tudo bem, não assiste. 
 
Se gosta muito de algum outro país, tudo bem, torce pelos dois. 

Se estás descontente com a forma como o Brasil está sendo governado, torce e trabalha para que pessoas da tua confiança vençam as eleições.

Mas torcer contra o Brasil? Ah, por favor... Não faz isto. 










 

terça-feira, 6 de maio de 2014

Involução humana



O que se espera de um ser humano é que sua vida seja uma constante evolução, que o conhecimento e experiências acumulados façam dele uma pessoa cada vez melhor. Infelizmente algumas pessoas parecem estar no caminho oposto, involuindo ao invés de evoluir. 

Ao mesmo tempo que vejo pessoas atingindo níveis cada vez mais altos de bondade e compaixão, leio na mídia histórias de pessoas cada vez mais duras e violentas; e não estou me referindo aos considerados bandidos e sim a pessoas comuns, a “bons cidadãos” que estão se deixando brutalizar.
Pessoas discutindo no ônibus por bobagem ou brigando a socos com um desconhecido por uma buzinada ou ultrapassagem indevida. Grupos de pessoas surrando e amarrando batedores de carteira em postes, pessoas que se dizem “de bem”, que provavelmente se acham superiores e com direito de “fazer justiça” com as próprias mãos. Onde está a justiça em um grupo agredindo fisicamente uma única pessoa? 

Hoje foi a gota d’água que me levou a querer escrever sobre este assunto. Em uma cidade brasileira, surgiu um boato de que uma mulher estava sequestrando crianças e foi publicado na internet um suposto retrato falado da tal mulher. Por azar, uma moça de 33 anos, mãe de duas meninas, foi considerada parecida com este retrato falado e um grupo de pessoas resolveu “fazer justiça”: amarraram a moça e a surraram tanto que ela foi internada em estado crítico e acabou morrendo.  Não existe nenhuma prova de que alguma mulher esteja seqüestrando crianças na cidade e muito menos que aquela moça tivesse feito alguma coisa errada. Simplesmente alguém lançou um boato e lobos ferozes disfarçados de seres humanos se sentiram no direito de agredir até a morte. E agora? Alguma destas pessoas “de bem” vai se apresentar à polícia e se desculpar com a família pelo engano? Alguém vai ter alguma coisa pra dizer para as filhas ou para a mãe dela? O que estas pessoas fizeram com esta moça inocente pode acabar acontecendo com um filho deles ou de qualquer outra família. 

Esta onda de descontrole emocional tem que parar imediatamente.

Por favor, não se deixe desumanizar. Não apóie e nem mesmo ache justificável qualquer comportamento violento. 

Não use as redes sociais para divulgar palavras duras ou idéias de vingança nem repasse informações que você não tem certeza que são verdadeiras.

Tente fazer a sua parte como membro da raça humana: aja com inteligência e bom senso. Contribua como puder para uma sociedade mais pacífica e solidária e a vida de todos vai ser melhor.


segunda-feira, 24 de março de 2014

O retorno da Princesa




A Princesa é uma cadelinha vira-latas branca com manchas pretas que veio ao mundo com a missão (ou sina) de causar emoções fortes nos seres humanos. Por pouco a vida dela não terminou antes mesmo de completar o primeiro mês. Não se sabe onde ela nasceu nem quem foram seus pais; se escorregou e caiu em um bueiro ou se foi deixada lá de propósito. O que se sabe é que ela “nasceu pela segunda vez” quando um humano de coração imenso percebeu que ela e outro filhotinho (provavelmente sua irmã) estavam presas naquele bueiro. Imediatamente ele começou a tentar tirá-las de lá: tentava alcançar com o braço, com cordas, de todas as formas que podia imaginar mas não conseguia. Todos os dias depois do trabalho ele ia até o bueiro e colocava água e comida pras pequenas. Depois de muitas tentativas conseguiu tirar a primeira cadelinha, para quem ele encontrou um lar com uma família muito especial, um casal jovem que já tinha uma filha e um cachorro e se dispôs a adotar como novo membro da família aquela que batizaram de “Victória”.

Depois de alguns dias, finalmente, aquele filhotinho que passou a ser chamada de Princesa conseguiu ser resgatada e, depois de alimentada e vacinada, também ganhou o lar que merecia: um casal de aposentados (pais daquele humano abençoado que lutou tanto pela vida dela) abriram sua casa no interior do estado e a receberam com todo carinho. A Princesa encheu a casa de alegria, mostrando diariamente o quanto era esperta e carinhosa.  Quando todos já estavam profundamente encantados com a Princesa, aconteceu algo inesperado: o casal teve que viajar e a deixou na casa de um dos filhos, de onde ela conseguiu fugir, provavelmente à procura deles. Imediatamente toda a família e amigos começaram a procurar a cadelinha  pelas ruas, becos e qualquer lugar onde ela pudesse estar. Colaram cartazes pela cidade, ofereceram recompensa, divulgaram o desaparecimento nas redes sociais e até no jornal da cidade.

Foram dois meses de procura, preocupação e esperança; muitas pessoas demonstraram seu apoio; conhecidos e até estranhos se solidarizavam e diziam que também estavam torcendo para que a procura terminasse com sucesso. 

Enfim, depois de 65 dias, o telefone tocou e um senhor que viu um dos cartazes na rua disse que viu a Princesa andando pela estrada e, com medo que ela fosse atropelada, a levou para casa. O reencontro do casal com sua pequena foi emocionante: lágrimas de saudade e de alegria, enquanto a Princesa demonstrava tê-los reconhecido imediatamente, correndo pra eles “fazendo festa”.

Para os descrentes de plantão fica mais uma prova de que existem sim pessoas boas e caridosas, dispostas a doar seu tempo, dinheiro e carinho simplesmente por solidariedade (que Deus os abençoe sempre).

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Minha manifestação



Qualquer pessoa tem o direito de revelar a sua opinião, expressar os seus sentimentos... Alguns gritam palavras de ordem, outros quebram patrimônio público (e privado); têm os que pixam muros e prédios, têm os que enchem as redes sociais com suas palavras duras. Eu? Eu escrevo... é assim que me manifesto melhor.

Fico pensando: por que só quem é contra alguma coisa se manifesta? O Brasil possui milhões de habitantes. Alguns milhares têm se manifestado contra um monte de coisas e eu sinto que quem pensa diferente também deveria se manifestar.

Eu sou contra ataques, destruição, atos violentos e quem impede as outras pessoas de seguir suas vidas em paz. Por que o direito de alguns de se manifestarem pode impedir o direito de todo o resto da população de ir para o seu trabalho ou de voltar pra sua casa no final do dia?

As pessoas dizem que estão lutando por um Brasil melhor. Destruindo a cidade? Gerando medo na população? Alguns dizem que só quebram coisas pra expressar sua indignação, mas gozado que ninguém quebra a própria casa! Quem quer demonstrar sua irritação botando fogo em automóvel nunca queima o seu próprio carro ou de algum parente. Quem põe fogo em lixeira não “se expressa” na que fica em frente ao seu prédio. 

Desde criança eu sempre adorei acompanhar as Copas do Mundo e as Olimpíadas. Como muitos outros milhões de pessoas eu sonhava em como ia ser bom quando fosse no Brasil. Quantos brasileiros iam se apaixonar por esportes e começar a praticá-los. Como seria legal receber atletas e turistas do mundo inteiro no Brasil (assim como tantos brasileiros já foram recebidos em outros países).  Que orgulho se os estrangeiros voltassem para os seus países dizendo que o povo brasileiro é educado, solidário, organizado e trabalhador.

Por que as pessoas que são contra estes eventos no Brasil se sentem no direito de tentar cancelar tudo e acabar com a alegria de quem os espera há anos? Por que eles acham que a opinião deles vale mais que a dos outros? 

Eu até entendo que muitas pessoas acham que não é um bom momento para um evento tão grande e que o Brasil devia estar focado e investindo em áreas que estão deixando a desejar. Mas por que não se manifestaram mais cedo? Por que deixaram pra fazer tudo isto agora que é praticamente impossível cancelar a Copa no Brasil? Por que não estão tentando cancelar as Olimpíadas, que ainda faltam dois anos pra começar?

Se tiver Copa, mas as manifestações continuarem, provavelmente muitas pessoas vão ter medo de vir ao Brasil e o número de visitantes estrangeiros vai ser muito menor. Alguém acha que isto seria bom para o Brasil? E todas as empresas que estão se preparando com obras e gerando empregos? E os comerciantes e prestadores de serviço que tanto esperam por este evento? Quem vai sair ganhando se a Copa for um fracasso?

E se a Copa for cancelada? Com certeza o Brasil vai passar as próximas décadas indenizando os investidores frustrados. Alguém acredita que um Brasil endividado vai poder investir mais em educação e saúde? Alguém acredita que se o Brasil precisar ficar investindo em  recuperação do patrimônio destruído e em polícia pra impedir o caos e a violência, a vida do brasileiro vai melhorar? 

Por favor! Vamos pensar realmente no melhor pro Brasil?

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Previsões do horóscopo




Aqui em Porto Alegre temos alguns ônibus que têm uma televisãozinha que as pessoas acabam assistindo para preencher o tédio da viagem (pelo menos as que não estão dormindo).

Hoje cedo, quando eu ia pro trabalho, dei uma olhada pra televisão e estava passando as previsões do horóscopo para o dia: “planeje melhor os seus gastos, tente manter equilíbrio na vida financeira”. Imediatamente eu pensei: puxa, esta foi sob medida pra mim, já que nos últimos meses gastei um pouco mais do que o normal e tô meio “quebrada”. Em seguida me dei conta que a previsão não era para o meu signo. Fiquei um pouco decepcionada, mas continuei acompanhando o programa. Ouvi coisas como: “Hoje poderá receber uma chamada no colégio do seu filho, esteja preparada.” 

Fiquei pensando: são apenas doze signos. Se dividirmos a população brasileira por doze, só no Brasil existem em média uns 15 milhões de pessoas de cada signo. Para quantas pessoas daquele signo esta previsão era possível de se realizar? 

Para outro signo a previsão era: “Possivelmente vai aparecer-lhe algumas varizes nas pernas”. Será que milhões de pessoas deste signo vão descobrir varizes nas pernas hoje?

As vezes as previsões são tão bons conselhos que servem pra qualquer pessoa, independente do signo: “Coma mais frutas, é possível que melhore sua digestão.” “Escute com atenção a opinião dos profissionais mais experientes.”  “Faça com maior frequência exames de rotina.”

Eu raramente leio horóscopo. Quando as previsões pro meu signo são negativas eu já vou logo dizendo: bobagem, eu não acredito em horóscopo! 

Mas bem que eu gosto quando descubro bons presságios pro meu signo! Vai que justamente desta vez está certo? 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Chegando aos 50




Não sei se os homens também são assim, mas acho que a maioria das mulheres fica um pouco pensativa antes de cada aniversário, principalmente depois dos 30. Uma certa apreensão, uma revisão dos planos... Eu já fiz o que eu achava que faria quando chegasse à esta idade? Se não fiz, foi porque mudei de idéia ou porque não tentei o suficiente e preciso me esforçar mais? 

Fazer aniversário pesa mais quando trocamos de década. De 29 pra 30, de 39 pra 40... É como se a vida fosse uma grande escadaria e cada ano fosse um degrau. À cada 10 degraus, um novo lance da escada. Subir cada degrau é um passo pequeno, mas iniciar outro lance da escada é diferente.  

Neste mês eu cheguei no primeiro degrau do 5º lance da minha vida: 50 anos. 


É estranho fazer 50 anos, parece que esta idade não combina comigo. Não sei se aparento 50 anos, mas por dentro não me sinto com esta idade. Eu ainda tenho tantas dúvidas, tanto à aprender, tanto à evoluir. Eu sei que todos dizem que a idade é só um número, mas pesa um pouco entrar numa década nova. Como poucas pessoas chegam aos 100 anos, é fácil deduzir que eu já estou na segunda metade da vida. Isto faz pensar sobre a trajetória até aqui.
 

Se eu fiz tudo o que eu pretendia fazer quando tivesse 50 anos? Não, mas em compensação fiz outras coisas que eu não imaginava que um dia faria.

Se eu tenho tudo que eu pretendia ter aos 50 anos? Não, mas tenho coisas que eu não imaginava que teria.

A gente se ilude ao pensar que pode planejar a vida, na verdade a gente até faz planos, mas de acordo com as surpresas e oportunidades nós vamos alterando alguns planos, deixando outros de lado e sonhando novos sonhos.

É isto. Uma nova década começa; que venham novos planos e novas surpresas. 


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Galinha perdida



Lembra daqueles passatempos onde se tinha que encontrar 7 erros numa gravura? 

Terça-feira eu tive esta sensação quando vi uma galinha perto da parada do ônibus. Pode não parecer estranho, mas no meu bairro só costumo ver galinhas em encruzilhadas, deitadinhas em papel vermelho; é a primeira vez que vejo uma galinha viva, “agachadinha” perto de um muro (será que se pode dizer que galinha "senta"?). De repente me dei conta de como as galinhas são engraçadas. Por que será que as aves só têm duas patas? Tudo bem que os humanos também só têm duas pernas, mas nós temos dois braços. As galinhas podiam ter dois bracinhos pequenininhos como aqueles dinossauros tinham; ia ficar mais fácil pra elas pegarem alguma coisa pra comer, sem ter que ir com o bico até o chão (e pra ajudar os seus bebês a saírem dos ovos no momento do nascimento).

Ontem quando eu estava indo pra parada do ônibus fiquei pensando se ela estaria lá. Passei por ela na mesma quadra, mas desta vez ela estava caminhando na calçada. Fiquei preocupada... será que alguém não ia acabar levando ela pra casa pra reforçar o almoço?

Hoje eu não encontrei com ela; o que teria acontecido com a galinha?

Será que a coitadinha foi atropelada? Será que foi adotada por alguma família?

Tomara que os antigos donos a tenham encontrado e levado de volta pros seus pintinhos. Tomara!


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Último dia do ano



Hoje é o 31º dia do 12º mês do ano de 2013.

Eu estava pensando como o fato de ser o último dia do ano faz o dia 31 de dezembro ser um dia especial, comemorado por todos.

Já pensou se a gente não dividisse o tempo em meses e em anos? Como seria se a gente contasse o passar do tempo apenas em dias?

Duas mães conversando numa pracinha:
- qual a idade do seu filho?
- 1907 dias, e o seu?
- vai completar 2190 no sábado!

A adolescente falando com as amigas: Nem acredito que tá chegando a minha festa de 5475 dias!

O gurizão não consegue comprar cerveja no supermercado e escuta do rapaz do caixa: desculpa, mas não posso vender bebida alcoólica pra menor de 6570 dias!

Seria bem estranho, né? Acho que é melhor assim como está!

De qualquer forma, desejo que os próximos 365 dias das nossas vidas seja de saúde, trabalho, família, amigos e muitas alegrias.

Feliz 2014 a todos!!!


domingo, 22 de dezembro de 2013

Vários ângulos da mesma realidade



Normalmente dizemos que uma pessoa é “do contra” quando a posição dela sempre é oposta à dos outros. 

Eu não penso diferente de todo mundo, mas o meu cérebro me permite ver vários lados de uma mesma situação. Uma mesma realidade pode ser vista de vários ângulos diferentes e verdadeiros.

Vou tentar explicar.

Alguém diz que não dá dinheiro para quem está pedindo na rua porque não resolve o problema. Concordo que não resolve. Mas também vejo que se alguém está com fome, o dinheiro pode pelo menos ajudar a resolver a necessidade mais urgente dela que é comer. O ideal seria dar um emprego, para depois de algum tempo a pessoa conseguir um lugar para morar e poder se manter alimentada e saudável, mas eu não tenho um emprego para oferecer e mesmo que tivesse, ela não poderia esperar tanto para comer.

Alguém é contra o divórcio de um casal que tem filhos porque é importante que os filhos morem junto com a mãe e com o pai. Concordo que o ideal seja pais e filhos morando juntos. Mas também é verdade que um relacionamento de casal às vezes não pode se manter (por falta de amor, por necessidades incompatíveis, por decepções ou até por um dos dois vir a se apaixonar por outra pessoa). Existem situações em que o relacionamento do casal precisa acabar e o fato de terem filhos não pode mantê-los juntos (e nem seria bom para os filhos conviverem com pessoas que não estão felizes juntas).

A realidade sempre é complexa, mas algumas pessoas são radicalmente defensoras de apenas um lado da verdade e desprezam as opiniões diferentes.

As nossas experiências, as coisas que a gente acredita, a nossa índole, a nossa educação... tudo isto varia de pessoa pra pessoa, e interfere na formação da opinião de cada um. 

Conclusão? A gente tem que respeitar as opiniões dos outros, porque cada um valoriza mais o lado da verdade que pra ele faz mais sentido. 


quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Troféu constrangimento do ano



Quando um grupo de colegas de trabalho se reúne, sempre tem alguém para lembrar algum momento de muito constrangimento pelo qual já passaram. 

Esta história eu não presenciei, mas me pediram pra contar. 

Aconteceu quando uma empresa recebeu a visita de uma gerente de outro estado que veio discutir com eles alguns projetos. Em torno da mesa de reunião, estavam sentados dois rapazes, duas moças e a visitante. A reunião corria bem até que de repente os botões da camisa da convidada se abriram e ela nem percebeu (por sorte ela vestia um corpete por baixo). As moças não sabiam como contar para ela discretamente. Os rapazes que estavam sentados em frente a ela não sabiam o que fazer; tentavam desviar o olhar, mas, sem querer, seus olhos acabavam sempre voltando para aqueles botões escancarados. Assim que puderam, os dois inventaram uma desculpa para sair da sala e as meninas avisaram a convidada que sua camisa estava aberta. Ela ficou envergonhada, mas fechou os botões e continuou com o trabalho. 

Ainda sem saber se as meninas tinham tomado alguma atitude, um dos rapazes teve uma idéia: mandou um chat para o computador da colega dizendo: “diz pra velha que os peitos dela estão de fora”. Aí é que a situação ficou pior! Ele não sabia que enquanto estava fora da sala a convidada havia mudado de lugar e sentado ao lado da colega dele, para analisar com ela alguns dados no notebook. De repente abre a janela do chat enquanto as duas olhavam para a tela. Com certeza a visitante leu aquela mensagem tão pouco delicada. A moça ficou clicando desesperadamente na janela tentando fechar a mensagem, mas não conseguiu ser rápida o suficiente para evitar que a outra lesse. Constrangimento total! Nem a visita e nem as meninas tocaram no assunto de tanta vergonha que sentiram. 

Assim que a senhora foi embora o ocorrido foi finamente divulgado a todos, que riram muito e até hoje lembram a vergonha que passaram. 

Como de toda situação negativa sempre se tira algum aprendizado, neste dia todos descobriram a importância de ter muito cuidado com as mensagens que enviam por chat, principalmente em ambiente de trabalho.

sábado, 26 de outubro de 2013

A perda irreparável da minha sombrinha




Quarta-feira choveu muito no final da tarde; praticamente uma tempestade! Cheguei em casa bem molhada, mas teria sido pior sem a minha sombrinha, companheira de um ano. É difícil uma sombrinha durar um ano, normalmente elas quebram ou são perdidas em alguns meses, mas a minha durou. Eu cuidava bem dela, porque ela era especial pra mim, eu comprei em Lucerna, na Suíça. 

A sombrinha era comum, da mesma qualidade das sombrinhas do Brasil; era vermelha e tinha o nome de várias cidades da Suíça escritas com letras brancas. Os turistas chegam na Suíça e só pensam em comprar duas coisas: relógios (que poucos podem comprar) e chocolates (que compram em grande quantidade); quando estivemos lá, além de muito chocolate, quase todos do grupo compraram sombrinhas, porque estava chovendo bastante.

Mas, voltando à narração da perda, na quinta-feira não estava chovendo, mas mesmo assim decidi levar a sombrinha comigo para o caso de chover de novo. Eu estava segurando na mesma mão as alças da minha bolsa e a cordinha da sombrinha. Quando subi no ônibus lotado, fui direto para a roleta; quando eu estava passando percebi que a sombrinha tinha sumido! Na minha mão só restaram as alças da bolsa e a cordinha, presa naquela pecinha de plástico de segurar. Olhei para o chão do ônibus mas não vi nada vermelho (acho que ela caiu na rua, no momento em que eu subia no ônibus). Me senti meio ridícula segurando aquela cordinha! Na hora lembrei daquele personagem humorístico que caminhava pela rua puxando uma corda e falando com um cachorro que não existia. 

Eu fico pensando: por que eu não carreguei a sombrinha dentro da bolsa? Bom agora é tarde, não adianta chorar pela sombrinha perdida. Vão-se as sombrinhas, ficam as cordinhas.


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Conversando com os animais



Hoje cedo quando eu estava esperando o ônibus, vi uma mulher saindo de um edifício com um cachorro. Ela tentava prender a guia na coleira do cachorro, mas cada vez que se aproximava o cachorro se afastava e ela dizia “espera!”. Depois de três tentativas frustradas a mulher diz pro cachorro: “Max, será que tu não entende o que é espera?” Eu pensei: claro que não, ele é um cachorro! Porque ela estava tão surpresa ao ver que o cachorro não entende uma palavra do vocabulário dos humanos? Afinal, ele é um cachorro! O “idioma” dele é completamente diferente do nosso! Por acaso ela entende quando ele late?

Na hora lembrei de um vídeo que assisti ontem, onde um repórter entrevista duas mulheres que tiveram a galinha de estimação roubada. Uma delas contou que a galinha era muito inteligente, que quando ela perguntava pra galinha “Cadê a princesinha da mamãe?” a galinha respondia “cócócócó”.  E o que a galinha ia fazer se não fosse inteligente? Ia relinchar? Galinha só sabe “dizer” cócócócó!

Muitos donos se apegam tanto aos animais que vêem neles características humanas; como a minha amiga que diz que a cadelinha dela adora passear de carro, que ela fica na janela “rindo pra todo mundo” (ela é bem simpática mesmo!) 

Pensando bem, se eu tivesse um bicho de estimação, provavelmente também falaria com ele! Não que eu achasse realmente que ele estava entendendo o que eu falava, mas só por instinto de comunicação. 

Isto é maluquice? Não!

É solidão? Não! (bom, às vezes até é, mas nem sempre).

Isto é comunicação (e amor).


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Bebê salva vidas




Sabe quando a gente vê uma cena e vem uma palavra ou expressão na nossa cabeça? Esta semana aconteceu isto comigo.  

A  minha filha completou 25 anos, e a madrinha dela nos enviou um vídeo onde ela aparece dançando e batendo palmas, com 1 ano e 11 meses. Era uma festinha de aniversário com o tema de circo e ela estava vestida de palhacinha. Num certo momento a câmera desvia um pouco dela e filma uma mesa onde estávamos sentados o meu pai, a minha mãe e eu; os três olhando encantados pra nossa criança tão amada. Quando assisti ao vídeo me emocionei por ver a minha filha tão pequena e o meu pai, que faleceu quando ela tinha 3 anos. E qual foi a expressão que veio à minha cabeça neste momento? Esta criança salvou as nossas vidas!


Quando ela tinha seis meses de vida, o meu único irmão, que na época tinha 28 anos, faleceu em um acidente de carro. A dor desta perda tão inesperada e prematura foi imensa! Nesta hora chega a dar vontade de morrer também; a gente perde a vontade de levantar da cama, de se alimentar, de fazer qualquer coisa. Mas a gente tinha um bebê em casa, totalmente dependente de nós e tínhamos que levantar todos os dias, alimentar, trocar fraldas, dar banho... levar na pracinha, dar atenção, dar e receber carinho.


Se não fosse ela eu não sei como teríamos passado por aquele momento tão triste. Aos poucos ela foi nos emocionando com suas primeiras palavras, primeiros passos; foi ocupando o nosso tempo e nossa atenção com os cuidados com ela e sem saber ela foi cuidando de nós também. 

Uma pessoa não substitui outra, mas ela tornou um pouco mais raso aquele buraco imenso e escuro que se abriu nas nossas vidas.

O nosso bebê nos salvou, porque nos devolveu a alegria e a vontade de viver.

Obrigada, pai do céu, por este presente!



domingo, 8 de setembro de 2013

Sonho não sonhado




Algumas pessoas desde cedo sonham com alguma coisa: ser modelo, jogador de futebol, cantor... escrever um livro, fazer uma viagem, abrir uma empresa...

Muitos se esforçam e realizam os seus sonhos, outros com o passar do tempo vão descobrindo outros interesses e esquecendo aquilo que queriam tanto.

Mas também acontece o inesperado: uma menina que nunca pensou em ser modelo pode estar passeando no shopping, ser convidada para fazer umas fotos e começar uma carreira; um menino jogando bola na rua com os amigos pode ser descoberto pelo olheiro de um grande time; um amigo propondo um novo negócio pode ser o início de uma empresa de sucesso. Uma oportunidade pode aparecer quando a gente menos espera e se tornar uma coisa boa na nossa vida.

Este é o sonho não sonhado: uma coisa muito boa, que talvez seja o sonho de muitos, simplesmente acontece pra quem nunca sonhou com ela.

Não quer dizer que esta oportunidade vai se transformar em sucesso sem muito esforço e dedicação, apenas que coisas boas podem acontecer sem que a tenhamos planejado.

Podemos ter talentos que ainda não conhecemos, podemos ter aptidões para fazer coisas que só vamos descobrir quando tentarmos algo diferente.

Podemos desistir de alguns sonhos antigos e realizar um sonho nunca sonhado.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Suicídio




Sexta-feira passada, no início da tarde, uma notícia mexeu muito comigo. Uma moça de 34 anos pulou do 22º andar de um prédio no centro da cidade. 

Um suicídio é sempre muito triste. O que leva uma pessoa a decidir acabar com a sua vida? Que sofrimento tão grande e que absoluta falta de esperança leva alguém a não querer mais viver? Será que perdeu um ente querido? Descobriu uma doença incurável? Perdeu tudo que tinha? Será que foi um conjunto de problemas tão graves que ela não viu mais saída?

A única certeza é a de que nenhuma pessoa feliz decide se matar. 

Pra quem gostava desta pessoa a dor é muito grande. Independente de tudo que tenha acontecido antes, com certeza estas pessoas se perguntam se podiam ter dito ou feito mais alguma coisa pra que esta decisão não chegasse a ser tomada, mas a dor só piora ao pensar que agora não podem fazer mais nada.

Eu já tive um amigo que cometeu suicídio. A vida dele cruzou com o vício na adolescência e ele passou muitos anos lutando contra as drogas; perdeu a saúde e chegou a perder a liberdade mais de uma vez. De repente se levantava, procurava ajuda em grupos de reabilitação, conseguia ficar longos períodos “limpo”, mas sentia uma tristeza profunda ao ver o quanto desperdiçou a sua vida e muita culpa por ter feito a família e amigos sofrerem; o peso era difícil de carregar e períodos de força e esperança acabavam em recaídas e mais dor. Infelizmente chegou um momento em que ele desistiu da batalha. Que pena.

Algumas pessoas têm posições definidas sobre o assunto: alguns acham que precisa ter muita coragem para acabar com a própria vida; outros dizem que ao invés de enfrentar os problemas o suicida foge e procura a saída “mais fácil”.  Eu não consigo ter nenhuma destas certezas, apenas fico triste. 




quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Cada um por todos




Nas últimas semanas muitas das notícias que li e das histórias que escutei me levaram a pensar em como a vida é frágil.

Eu sei que muitas pessoas sobrevivem a tragédias e doenças graves, mas também vemos tantas vidas se perderem por motivos tão banais. Uma bactéria pode matar uma pessoa!  Um momento de distração ao atravessar uma rua, um cochilo dirigindo um carro, uma bala perdida... Um detalhe pode virar uma vida do avesso ou acabar com ela definitivamente.

A vida é tão preciosa e pode se esvair em segundos.

A gente precisa se cuidar! Não digo apenas cada um cuidar de si mesmo, mas cada um cuidar de todo mundo. Por que não? Algumas pessoas gostam de dizer que não se metem na vida dos outros, mas que mal teria “se meter” pra ajudar? 

No dia da greve dos ônibus eu estava na parada esperando a carona de um colega e um homem que não me conhecia passou por mim e me avisou que não tinha ônibus. Eu adorei! Ele se preocupou comigo sem nem me conhecer! Eu acho bonito quando alguém diz para um motorista que a porta do seu carro não está bem fechada ou quando uma pessoa avisa quem passa que o chão está escorregadio. É assim que tem que ser! Somos frágeis, mas podemos ficar mais fortes e mais seguros com a ajuda dos outros.

A gente pede pra quem a gente gosta se cuidar, mas não seria ótimo se todas as pessoas estivessem interessadas em protegê-los? Se todos cuidassem de todos, não estaríamos mais seguros?

Chega de “cada um por si”, vamos passar logo pro "cada um por todos".


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Marcha dos Canhotos





Eu sou destra, mas se eu fosse canhota eu não participaria de um movimento chamado "Marcha dos Canhotos". Eu nunca ouvi falar de um movimento promovido por canhotos, mas sei que há anos atrás eles eram discriminados. Eu pensei nisto porque cada vez tem mais movimentos de grupos com uma determinada característica e que sofrem preconceito.

Eu não participaria de uma passeata que enaltecesse os baixinhos, morenos ou destros, embora eu seja baixinha, morena e destra.

Também não participaria de um evento chamado "Orgulho Hétero", porque eu não tenho orgulho de ser hétero, apenas sou, não vejo motivo para orgulho.

Não gosto destes eventos que exaltam uma determinada característica de um grupo de pessoas, como se quem possuísse esta característica fosse superior à quem não possui.

Os defensores destes movimentos alegam que o objetivo é a conscientização dos preconceituosos, a exigência de serem tratados com respeito e até melhorar a própria autoestima. Mas será que funciona?

Da minha parte, eu acho que quem possui qualquer tipo de preconceito, seja de raça, religião, orientação sexual, ou qualquer outro, sofre de alguma deficiência intelectual ou emocional.

Mas falando em sofrer algum tipo de discriminação, muitos outros grupos poderiam se manifestar: os pobres, os obesos, os idosos, os que possuem alguma limitação física... 

Eu acho que a maioria das pessoas se encaixa em pelo menos um grupo que desperta o preconceito de alguém! Então, será que vale a pena separar pessoas em grupos? Não seria melhor juntar pessoas para estimular características que qualquer um pode ter e que são importantes para qualquer sociedade?

Que tal a Marcha dos Honestos, o Dia do Orgulho Solidário ou da Consciência Coletiva?

Para este tipo de evento pode me convidar que eu vou!







terça-feira, 28 de maio de 2013

Palavras aposentadas





Um dia destes eu vi um homem no ônibus carregando uma sacola de supermercado dizer que ia deixá-la no “assoalho” para não molhar o banco. Esta palavra me soou estranha, acho que não tenho ouvido muito ultimamente. Na hora comecei a pensar em quantas palavras a gente deixou de usar com o passar do tempo. Lembrei do dia em que a minha filha me olhou com cara de interrogação quando a minha mãe comentou que tinha escutado uma “anedota” no rádio. 

Nos dias que se seguiram comecei anotar palavras e expressões que caíram em desuso e que se tu tiveres menos de 40 anos pode nunca ter escutado.

A lista de palavras “aposentadas” ficou tão longa que cheguei a classificar em grupos:

- roupas de algumas décadas atrás: japona, calça boca de sino, blusa de gola olímpica, camiseta de física, pantalona, maiô de duas peças, cacharel.

- verbos que ninguém conjuga mais: datilografar, mimeografar, rebobinar, paquerar. 

- expressões que ficaram no tempo: tirar retrato, coar café, raspar as pernas, ler fotonovela, ouvir LP, reunião dançante.

Fiquei com uma sensação boa por ter descoberto uma vantagem de ficar mais madura: o nosso vocabulário é muito extenso!

E para aqueles que ficaram com dúvidas, sugiro que ao invés de pesquisar as palavras no Google aproveitem para conversar com a mãe, tia ou avó: elas vão gostar de explicar o que as palavras significam e com certeza vão ter algumas histórias bem interessantes pra contar.


domingo, 12 de maio de 2013

Lentes Coloridas




Quando eu era criança todo mundo que eu conhecia tinha televisão preto e branco. Quando as primeiras TVs em cores começaram a ser vendidas em Porto Alegre o preço era muito alto; as famílias começaram a sonhar com sua primeira TV colorida mas poucos tinham dinheiro pra comprar. 

Num belo dia o meu pai chegou em casa com uma tela de plástico duro de acoplar à televisão preto e branco para que ela “se tornasse” colorida. Na verdade a tela só tinha 3 cores: a parte superior era azul, a parte de baixo era verde e o centro era cor de rosa. Até parecia adequado quando a cena era de um dia de sol, com céu azul e as pessoas passeavam em um lindo gramado, mas de qualquer jeito todo o resto era rosa: pessoas, animais, prédios... mas a gente gostava. 

A vida da gente parece que muda de cor de acordo com o momento que estamos vivendo. Quando estamos muito felizes parece que tudo fica mais colorido e mais bonito. Quanto estamos muito tristes a vida fica cinzenta, parecendo um dia frio e nublado. Mas e o resto do tempo? O que acontece quando a vida está simplesmente seguindo seu curso, sem termos motivo para estarmos extremamente tristes e nem explodindo de alegria? Às vezes tenho a impressão que nos dias comuns as pessoas se deixam levar pela rotina e começam a ver a vida em tons pastéis; parece que o normal é chato e sem graça. Mas não precisa ser; a gente pode fingir que usa lentes coloridas e ver a vida mais bonita! 

As más notícias dos jornais, as dificuldades do dia-a-dia, as contas para pagar, o cansaço, as preocupações... Tudo isto nos rodeia diariamente, mas as coisas boas também estão por aí, bastando a gente prestar mais atenção nas situações positivas. Eu vejo muitos gestos de bondade e gentileza de pessoas em todos os lugares. Quando alguém oferece seu lugar no ônibus mesmo quando não está sentado nos bancos especiais, quando um motorista avisa para outro que a porta do seu carro não está bem fechada, quando alguém dá algo de comer para um morador de rua... Sempre que eu vejo um gesto de bondade eu lembro de pessoas que generalizam dizendo que hoje todas as pessoas são egoístas e interesseiras. Não são não! Não todas. 

Eu conheço muitas pessoas que fazem coisas por pura solidariedade. Pessoas que trabalham como voluntárias em hospitais, que coletam alimentos para quem precisa, que recolhem cachorros machucados da rua, que cuidam dos netos, que dão o que podem pra quem tem menos, enfim, pessoas que tentam de alguma forma ajudar alguém. 

A vida não é cor de rosa o tempo todo, mas podemos tentar enxergar as cores possíveis. Não se trata de fechar os olhos para as coisas negativas, mas de focar no lado bom da vida e das pessoas, de sermos otimistas e levarmos mais cores para a vida dos outros.