domingo, 12 de maio de 2013

Lentes Coloridas




Quando eu era criança todo mundo que eu conhecia tinha televisão preto e branco. Quando as primeiras TVs em cores começaram a ser vendidas em Porto Alegre o preço era muito alto; as famílias começaram a sonhar com sua primeira TV colorida mas poucos tinham dinheiro pra comprar. 

Num belo dia o meu pai chegou em casa com uma tela de plástico duro de acoplar à televisão preto e branco para que ela “se tornasse” colorida. Na verdade a tela só tinha 3 cores: a parte superior era azul, a parte de baixo era verde e o centro era cor de rosa. Até parecia adequado quando a cena era de um dia de sol, com céu azul e as pessoas passeavam em um lindo gramado, mas de qualquer jeito todo o resto era rosa: pessoas, animais, prédios... mas a gente gostava. 

A vida da gente parece que muda de cor de acordo com o momento que estamos vivendo. Quando estamos muito felizes parece que tudo fica mais colorido e mais bonito. Quanto estamos muito tristes a vida fica cinzenta, parecendo um dia frio e nublado. Mas e o resto do tempo? O que acontece quando a vida está simplesmente seguindo seu curso, sem termos motivo para estarmos extremamente tristes e nem explodindo de alegria? Às vezes tenho a impressão que nos dias comuns as pessoas se deixam levar pela rotina e começam a ver a vida em tons pastéis; parece que o normal é chato e sem graça. Mas não precisa ser; a gente pode fingir que usa lentes coloridas e ver a vida mais bonita! 

As más notícias dos jornais, as dificuldades do dia-a-dia, as contas para pagar, o cansaço, as preocupações... Tudo isto nos rodeia diariamente, mas as coisas boas também estão por aí, bastando a gente prestar mais atenção nas situações positivas. Eu vejo muitos gestos de bondade e gentileza de pessoas em todos os lugares. Quando alguém oferece seu lugar no ônibus mesmo quando não está sentado nos bancos especiais, quando um motorista avisa para outro que a porta do seu carro não está bem fechada, quando alguém dá algo de comer para um morador de rua... Sempre que eu vejo um gesto de bondade eu lembro de pessoas que generalizam dizendo que hoje todas as pessoas são egoístas e interesseiras. Não são não! Não todas. 

Eu conheço muitas pessoas que fazem coisas por pura solidariedade. Pessoas que trabalham como voluntárias em hospitais, que coletam alimentos para quem precisa, que recolhem cachorros machucados da rua, que cuidam dos netos, que dão o que podem pra quem tem menos, enfim, pessoas que tentam de alguma forma ajudar alguém. 

A vida não é cor de rosa o tempo todo, mas podemos tentar enxergar as cores possíveis. Não se trata de fechar os olhos para as coisas negativas, mas de focar no lado bom da vida e das pessoas, de sermos otimistas e levarmos mais cores para a vida dos outros.




domingo, 5 de maio de 2013

Me ajude a escolher o título do meu livro


Comecei a escrever crônicas e publicar no meu blog em outubro de 2010.
Agora que já tenho material suficiente, resolvi publicar um livro.
Estou organizando o material, escrevendo a abertura e encerramento, mas não tenho o título nem a capa.

Escolhi alguns títulos e estou precisando da ajuda de quem gosta do que eu escrevo e já conhece alguns dos meus textos.
Acho que o título deve representar a essência do que eu escrevo (que tem tudo a ver com o meu jeito de ver a vida): mostrar para as pessoas que a gente pode ver graça nas coisas do dia-a-dia e que pode focar nosso olhar para o lado bom da vida e das pessoas.

Deixe no comentário a sua sugestão:

Foco no Positivo (que é o título de uma das crônicas)
Lentes coloridas (que significa ver a vida com um olhar mais positivo)
Meu jeito Dê ver a vida (que faria relação com o nome do Blog)
Meu Jeito Dê Ser
Outro nome (aceito sugestões)


Conto com a ajuda de vocês.


Obrigada!

domingo, 28 de abril de 2013

Coração triplex




Se a gente considerar o coração como o lugar onde “moram” as pessoas que gostamos, o meu coração seria como um apartamento triplex: o térreo é muito amplo e nele moram quase todas as pessoas que eu conheço mas não tenho uma relação muito próxima; todos são tratados com cordialidade e simpatia e só sai quem deixa de merecer a boa acolhida.

O primeiro andar é bem mais seletivo: trata-se de um espaço muito confortável e aconchegante, destinado à família e amigos especiais. Neste cômodo as pessoas só entram por grande afinidade e podem morar pra sempre usufruindo do meu carinho e atenção.

O último andar é a cobertura com vista panorâmica; o espaço é bem menor (até porque só é usada por uma pessoa de cada vez), mas o tratamento é o melhor possível. Este lugar é reservado para o chamado "amor romântico".  Não foram muitos os que já moraram na área VIP; alguns inquilinos freqüentaram por um tempo e depois abriram mão do privilégio, outros foram gentilmente convidados a se retirarem. Cada vez que alguém desocupa a área eu adoto o mesmo procedimento: primeiro o espaço fica fechado por um tempo (uma espécie de luto). Depois eu abro bem as janelas, deixo o ar e o sol entrarem e começo a lembrar o quanto o lugar é bonito; aos poucos começo a pensar na possibilidade do local ser novamente aproveitado. Apesar desse espaço ser tão bem cuidado, às vezes fica desabitado por algum tempo: um verdadeiro desperdício! Nestes períodos de desocupação a vida pode ficar meio sem graça, mas dá para ser feliz sem romance! A ausência de um relacionamento não traz necessariamente sofrimento, às vezes traz apenas uma espécie de tédio emocional.

De qualquer forma, acho que neste momento o meu coração não está tendo toda a ocupação que poderia! Com tanto “sem-teto” emocional por aí é até pecado eu ter um espaço ocioso no meu coração.

Talvez já esteja na hora de ocupar a cobertura. Vou começar a pensar nisto...