domingo, 21 de abril de 2013

Dois tipos de sorte





 Eu entendo que existem dois tipos de sorte: a primeira, quando uma coisa boa simplesmente “cai do céu”; eu vou chamar de “sorte gratuita”, Esta é a sorte no seu sentido literal, descrita no dicionário como “sucesso casual”. Neste caso a pessoa não faz nada para ganhar alguma coisa mas mesmo assim ela ganha. Alguém que sem querer pisa em um papel e descobre que é um bilhete de loteria premiado: a pessoa não comprou um bilhete nem se deu ao trabalho de escolher os números e simplesmente ganha uma fortuna. Outro exemplo é alguém que está caminhando em uma rua qualquer e ganha um carro zero quilômetros simplesmente porque foi a milionésima pessoa a passar em frente a uma determinada concessionária. 
É claro que nestas situações a pessoa se sentirá extremamente sortuda! 

Mas eu me sinto uma pessoa de sorte mesmo quando me esforço muito para alcançar alguma coisa e tenho sucesso. Ter um bom emprego é sorte ou merecimento? Fazer a viagem dos sonhos que foi totalmente paga por você mesma é sorte ou merecimento? Eu acho que as duas coisas.  

Este é o segundo tipo de sorte, que eu vou chamar de “sorte merecida”: você se esforça, se dedica ao máximo e consegue alcançar seu objetivo. Mas se existe esforço e merecimento por que é sorte? Porque nem todo mundo que merece e se esforça consegue. Muita gente trabalha duro a vida inteira e não consegue comprar a casa própria, ter um bom salário ou realizar qualquer outro sonho. Às vezes alguma dificuldade as impede: um problema de saúde ou familiar, falta de oportunidade, falta de apoio, falta de determinação, ou mesmo sem nenhum motivo evidente, simplesmente não acontece. 

A sorte gratuita é bem difícil de acontecer e por este motivo quem só acredita neste tipo de sorte pode ficar meio desanimado, mas lembrar que existe a sorte merecida torna a pessoa mais positiva e determinada.  

Se a pessoa realmente acreditar que pode alcançar seu objetivo ela vai se esforçar muito mais, e o esforço é um grande passo pra alcançar o que se quer.

De qualquer forma desejo sorte pra todos nós, afinal um pouquinho de sorte não faz mal pra ninguém.





domingo, 7 de abril de 2013

Três verbos: Entender, Aceitar e Tolerar




Cada pessoa tem o direito de fazer as suas escolhas e cabe aos outros decidirem como vão lidar com elas. O direito de escolha de um não obriga e nem garante a aprovação de outro.

As atitudes de uma pessoa sempre causam impacto em quem convive com ela, e quanto mais forte for a ligação, maior será o impacto de suas decisões e escolhas.

Quando uma pessoa de quem gostamos tem um comportamento com o qual não concordamos, passamos por uma situação difícil: tentamos entender seus motivos, mas nem sempre é fácil aceitar ou apoiar. Talvez entender seja a parte mais fácil, se levarmos em conta os sentimentos e as preferências da pessoa, mas aceitar não é tão fácil e normalmente tentamos conversar e argumentar para que mude.

Mas se não mudar? O que vamos fazer? Vamos nos afastar de quem gostamos porque não gostamos de suas escolhas?

Depende! Existem comportamentos como infidelidade ou violência doméstica que são considerados inaceitáveis pela maioria e em muitas vezes a única atitude possível é o afastamento. Existem outras atitudes que preferíamos que não tivessem ocorrido, mas que acabamos aceitando porque não temos como fazê-los voltar atrás e porque não chega a prejudicar tanto, como por exemplo um filho fazer uma tatuagem enorme ou perder um bom emprego. Apesar de não concordarmos, podemos aceitar.

Mas se alguém de quem gostamos muito, que possui muitas qualidades e de quem não cogitamos nos afastar faz escolhas que lhe fazem algum mal? Comportamentos que podem prejudicar sua saúde física ou emocional, fazer perder oportunidades ou até colocar em risco sua segurança? Como conviver com o que nos causa dor e preocupação? Aí vem o terceiro verbo: tolerar. Depois de pedir e argumentar muito, só podemos continuar convivendo com a pessoa (apesar de sofrer com sua escolha) e esperar; continuar ajudando e querendo tudo de melhor para ela, ao mesmo tempo que torcemos para que faça escolhas melhores para a sua vida.

É muito simplista alguém dizer que quem ama aceita cem por cento, mesmo não concordando. Às vezes o máximo que conseguimos é nos manter perto e tolerar o que não conseguimos concordar. Li uma frase com a qual concordo plenamente:



“Amar não é aceitar tudo. Aliás: onde tudo é aceito, desconfio que há falta de amor.”
-- Vladimir Maiakovski



terça-feira, 12 de março de 2013

Imprecisão




Hoje quando levantei tinha um bilhete da minha filha em cima da mesa: “Me liga pelas 8h pra me acordar”. Que hora é “pelas 8h”? Imaginei que queria dizer “em torno de 8 horas”, ou seja, minutos antes ou minutos depois das 8h; na dúvida liguei às 08h15m e como ela estava dormindo mesmo não fez a menor diferença.

O resultado deste bilhete foi que eu fiquei pensando como estes horários inexatos que a gente usa podem ter significado diferente de acordo com quem fala. Imagine a situação: duas amigas combinam de se encontrar em frente a um restaurante para almoçar às 13h; uma é pontual, mas a outra chega às 13h20h. A que chegou atrasada vai dizer que chegou “umas 13 e pouco”, já a que estava esperando no sol e roxa de fome vai dizer que a outra chegou “já era umas 13 e tanto”. Questão de ponto de vista.

Também varia muito a percepção que as pessoas têm da idade dos outros.

Eu acho muito engraçada a expressão “não aparenta”! O que? Tu tens 39? Não aparenta! Eu “te dava” no máximo uns 38! Como as pessoas podem ter uma imagem tão precisa de cada idade? Será que a diferença é tão grande entre quem tem 38 e quem tem 39? Eu não vejo diferença!

Eu tenho muita dificuldade em tentar adivinhar a idade de alguém. É tão complexo! As vezes pessoas da mesma idade são completamente diferentes! Pra não errar muito feio eu costumo deixar uma margem maior: ao invés de dizer que uma pessoa deve ter uns quarenta e dois anos eu uso um método que eu aprendi depois de muitos anos observando a maneira como as pessoas se expressam. É assim:

- quando eu acho que a pessoa tem entre 41 e 44 anos, eu digo que ela deve ter uns “40 e poucos” anos.

- quando eu acho que a pessoa tem entre 45 e 48 anos, eu digo que ela deve ter uns “40 e vários”;

E se alguém pergunta a minha idade? Acabei de fazer “40 e todos”!