segunda-feira, 12 de março de 2012

O importante é vencer?

Com a proximidade das Olimpíadas de Londres vários canais têm mostrado cenas de Olimpíadas passadas, grandes jogos, participações do Brasil, etc...

Hoje vi uma cena que me chamou muito a atenção: a seleção brasileira de vôlei masculino no pódium recebendo medalha de prata com uma expressão de abatimento e tristeza estampada nos rostos. Eu fiquei pensando: por quê? Por que não ficar feliz por ter conseguido ficar em segundo lugar, tendo sido a melhor seleção, exceto uma? 

Discordo totalmente de uma frase do Ayrton Senna: “O importante é ganhar tudo e sempre. Essa coisa de que o importante é competir é pura demagogia”.

É bom vencer, mas as pessoas às vezes dão uma dimensão exagerada à necessidade de ser “o melhor”. Esta busca desmedida pela vitória traz muito mais sofrimento do que alegrias, afinal apenas um vence. 

Um dia destes vi uma pequena parte de um programa na TV (não conseguiria continuar assistindo!). O programa mostra meninas de 5 ou 6 anos sendo preparadas para serem pequenas misses. As meninas passam horas cuidando do cabelo, maquiagem, ensaiando o desfile e tendo as mães ao seu redor; as elogiando e incutindo nelas o pensamento de que vão ganhar o concurso, porque são as mais bonitas. Era deprimente ver as meninas perdendo suas infâncias para serem moldadas para vencer. O que vai acontecer com a única que ganhar o concurso? Vai se sentir a mais bonita, a rainha da beleza, a que está acima de todas as outras. E o que vai acontecer com todas as outras? Vão sentir o gosto da derrota e ver nos rostos das suas mães o quanto estão decepcionadas. E para quê tudo isto? Por quê uma mulher que venceu o concurso de rainha do bairro, da cidade, da região e do estado se sente perdedora se ficar em segundo no miss Brasil? Todas as outras vitórias deixaram de ter valor?

No futebol não é absurdo que o primeiro lugar da série B é aclamado e comemora, enquanto os últimos colocados da série A se sentem fracassados? Mas os últimos colocados da série A não são (a princípio) melhores do que os primeiros colocados da série B?

Eu acho que os pais devem cuidar muito para não estimular nos filhos o gosto exagerado pela competição e a necessidade de ficar em primeiro lugar, pois é muito mais provável que estejam criando filhos que vão se sentir derrotados do que vencedores. 

Os pais querem sempre estimular os filhos para que se dediquem, busquem sempre se superar e acreditem em si, mas eles não precisam condicionar a sua felicidade ao fato de superar a todos os outros. Estimulem para buscarem o sucesso, mas não necessariamente para ser melhor do que os outros, até porque ninguém vai ganhar sempre. 

Eu gosto de ver em finais de partidas de vários esportes, competições de ginástica, festivais de músicas, quando os adversários se cumprimentam e parabenizam (sinceramente) aquele que o venceu: não por falsa cordialidade, mas por sincera admiração; por entenderem que naquele momento o outro esteve melhor e merece ser reconhecido por isto. 

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Teoria do Otimismo

Eu tenho uma amiga bonita, inteligente, engraçada, mas muito pessimista.

Antes mesmo de fazer as provas, ela já diz que vai rodar (e até agora sempre foi aprovada!)

Eu sou o oposto; sempre penso na possibilidade mais agradável, sempre acho que tudo vai dar certo.

Um dia eu disse que ela não podia ser tão pessimista e ela ainda defendeu a sua teoria: “eu já saio esperando pelo pior: se acontecer alguma coisa boa, vou ter uma surpresa agradável, mas se der tudo errado, eu não vou me decepcionar!”

Eu poderia falar pra ela da Lei da Atração, que diz que a gente atrai o que a gente pensa, mas vou optar por uma teoria minha mesmo: simples, prática e lógica:

Veja bem:

- se a pessoa pensa que algo vai dar errado e depois dá certo: sofreu à toa, pensando em uma coisa negativa que nem ia acontecer.

- se pensa que algo vai dar errado e a previsão se confirma: perdeu a chance de pelo menos passar um tempo bem, e começou a sofrer antes da hora.

- se pensa que vai dar certo e dá errado: aproveitou um tempo feliz e estava mais forte quando teve uma decepção (portanto vai enfrentar melhor o problema).

- se pensa que vai dar certo e o resultado é positivo: já começou a ser feliz antes mesmo de ter um motivo real pra comemorar. Perfeito: só alegria!

Então: não está claro que é melhor pensar de forma positiva?

Prever coisas negativas antes de acontecerem é sofrer por antecipação e muitas vezes sofrer sem necessidade. E pra quê? Sofrer, só em último caso, quando tiver um motivo real! Fora isto, a gente tem que passar o máximo de tempo bem (pro nosso próprio bem!)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Gente sem noção – O médico diferente

 
É interessante como algumas características são tão comuns entre determinados profissionais que já imaginamos que todos são mais ou menos iguais. Todos os médicos que eu já tinha consultado eram tranqüilos, falavam baixo e devagar e faziam várias perguntas antes de expressar qualquer tipo de opinião. Surpresa: nem todos são assim!

Ontem fui consultar um traumatologista. Meu objetivo era simples: só queria uma requisição para uma ressonância para descobrir exatamente o que me causa tanta dor nas costas e assim poder buscar o tratamento mais eficaz.

Quando cheguei ao consultório cada frase que o médico falava (do jeito que falava) era uma surpresa. O cara falava muito rápido e alto e ia deduzindo coisas que eu não tinha dito.
Eu sentia como se ele estivesse me criticando por alguma coisa que eu não tinha feito; eu ficava esperando ele parar um pouco de falar pra dar as informações que ele não estava me pedindo. Foi mais ou menos assim:

- Ele: O que te traz aqui? Andou caindo, se machucando...?
- Eu: Não, não me machuquei, mas tenho uma dor na lombar que já dura uns 9 meses.

E aí começa a conversa estranha:

- Ele: pois é, mas sem exames eu não posso saber o motivo da tua dor (eu não tinha dito que não queria fazer exames!). Mostra aí onde dói. Eu levantei e mostrei o meio das costas, na altura da cintura.
Ele perguntou se a dor se estendia para as pernas e eu disse que não, que ela ficava só naquele ponto e principalmente quando eu ficava em pé e/ou caminhava.
- Ele: é como eu te disse, tem que fazer pelo menos um raio X!
- Eu: há uns dois meses eu fui num atendimento traumatológico de urgência e fiz várias radiografias.
- Ele animado: E trouxe os exames?
- Eu: Não, o médico não me entregou.
- Ele (com cara de quem ia me mandar embora imediatamente e só voltar com os exames): Então como é que eu vou adivinhar o que apareceu na radiografia?
- Eu (pacientemente como quem fala com uma criança pequena ou um adulto sem noção): O médico me mostrou os exames e me explicou que os espaços entre as minhas últimas vértebras estavam menores do que os espaços entre as outras.
- Ele (como se tivesse feito uma grande descoberta): Ah ta! Então é desgaste! Se os espaços estão menores é desgaste!
- Eu (pensando que ele tava me chamando de velha): Só desgaste? Não pode ser alguma outra coisa?
- Ele (me interrompendo): O que ele mandou tu fazer?
- Eu: Ele disse pra eu fazer 30 sessões de fisioterapia e se não resolvesse era pra eu voltar pra fazer outros exames. Mas não seria melhor já ter feito outros exames? Eu não cheguei a fazer fisioterapia...
- Ele (encerrando a questão): Não! Se o raio x mostrou que é desgaste qualquer exame vai mostrar a mesma coisa! E não vai curar se tu não fizer nada... e não adianta só se encher de remédio (como se eu tivesse pedindo receita de medicamento)
- Eu, interrompendo a frase dele, calmamente: eu evito ao máximo tomar remédios. E não fiz fisioterapia mas fiz 8 sessões de acupuntura. Até sentia um certo alívio no dia seguinte mas depois voltava a dor. Eu achei melhor parar um pouco, fazer outro exame e ter uma orientação de qual o melhor tratamento.
- Ele: Mas 8 sessões é muito pouco! Tem muito tratamento bom! Eu gosto de Pilates, fisioterapia tradicional, acupuntura, hidroginástica... Mas nada vai resolver em 8 sessões! E cirurgia pra colocação de placas e pinos de metal é só em último caso! (como se eu tivesse pedindo pra ele me operar!)
- Eu: Não, mas eu não quero nem pensar em cirurgia! Eu posso fazer qualquer destes tratamentos, mas eu pensei que seria melhor eu ter um exame pra levar para o fisioterapeuta poder indicar o melhor tratamento para o meu caso.
- Ele: Ah, mas tu vai levar o exame! (começou a rabiscar num formulário com uma letra que eu não entendia; pelo menos na letra ele era igual à maioria dos médicos!). Este exame é o melhor que existe: a ressonância magnética. Ainda não inventaram nenhum exame mais completo e nem sei se vão inventar.
- Eu só ri pensando: ele não sabe que a medicina ta sempre evoluindo? Com certeza ainda vão inventar exames ainda melhores, mas nem quis puxar mais nenhum assunto...

Levantei e fui pra porta rapidamente, tendo em mãos aquilo que eu fui buscar: a requisição do exame. Mas precisava ter me torturado tanto?

Parecia que era uma daquelas pegadinhas que alguém nada a ver assume a posição de um profissional e vai dizendo absurdos pra testar a reação das pessoas. O pior é que não era pegadinha!
Eu saí rindo sozinha, lembrando que sempre que alguém me diz: “eu morro e não vejo tudo” eu respondo: “eu morro e não vejo nem metade!